Marco Harbich explicou que a busca dos investidores globais por mercados emergentes, como o Brasil, decorre das incertezas geradas pelas mudanças constantes nas narrativas do governo americano (tarifas, ações militares, disputas comerciais), o que tornou o ambiente externo mais volátil e levou a uma diversificação de carteiras em direção a países com melhor risco-retorno relativo — caso do Brasil, beneficiado pelo carry trade e por ativos considerados baratos.
Questionado pelo entrevistador sobre a relação entre o cenário fiscal brasileiro e a corrida eleitoral, Harbich ponderou que ainda é precipitado atribuir o fluxo de capital estrangeiro ao cenário eleitoral, embora reconheça que pesquisas mostrando avanço de candidaturas alternativas a Lula já geram alguma expectativa de mudança e otimismo no mercado.
Sobre a inflação, tema também levantado pelo entrevistador a partir dos dados do Boletim Focus, Harbich destacou que a entrada de capital e a valorização do real ajudam a amenizar — mas não eliminam — a pressão inflacionária vinda do petróleo, cujo custo afeta toda a cadeia produtiva (logística, embalagens, fertilizantes). Avaliou que o IPCA pode superar os 5%.
Em relação à reunião do COPOM do dia 29 — pergunta direta do entrevistador —, Harbich projetou um corte moderado de no máximo 0,25 ponto, dado o grande diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos (que mantém atrativo o carry trade) e a alta probabilidade de manutenção da taxa americana. Para ele, não há sinais de reversão relevante do fluxo de capital estrangeiro no curto prazo, ressalvando o risco natural de capitais especulativos de curto prazo, que tendem à saída na mesma velocidade da entrada.
Fonte: YouTube – https://www.youtube.com/watch?v=NHRzzz-AenQ
